Relatórios e planilhas de acompanhamento de modo geral costumam ser burocráticos e às vezes até difíceis de entender. Mas trabalhar com esses dados de forma estratégica é fundamental se você pretende evoluir como gestor e se destacar da concorrência.
Para quem vende no crediário, por exemplo, ter acesso a um relatório de inadimplência detalhado (e saber interpretá-lo) representa uma grande vantagem competitiva.
É uma fonte extremamente valiosa de informação, que todo lojista deve saber utilizar para poder avaliar sua real situação financeira e descobrir onde estão os pontos fracos do seu negócio.
O objetivo deste tipo de relatório é:
- Analisar a situação atual da inadimplência da loja;
- Estimar a inadimplência futura (a partir da inadimplência de 30 dias, projetar a de 180 dias);
- Comparar a inadimplência da sua loja com a de outros lojistas;
- Fornecer uma conclusão sobre o estado atual da loja;
Quando bem elaborado, o relatório de inadimplência oferece uma ajuda valiosa para você saber quando impulsionar as vendas no crediário ou restringir mais o crédito, se necessário.
Entretanto, para garantir esses benefícios do relatório, é preciso fugir de alguns erros comuns no momento de fazer a leitura e garantir uma boa interpretação para tomar melhores decisões. É sobre tudo isso que vamos falar neste artigo. Vamos lá?
A importância de monitorar a inadimplência
Primeiramente, manter uma programação de caixa e garantir que os recursos entrem na data esperada é crucial para o bom funcionamento de uma operação de crediário próprio.
Mas quando o índice de inadimplência de uma loja é muito alto, não há como prever se os pagamentos programados estarão disponíveis para quando você precisar deles.
Você sabe que no dia-a-dia do comércio é muito comum assumir compromissos na gestão de fornecedores ou mesmo fazer investimentos com base nas receitas futuras da empresa.
Se você costuma fazer isso, já pensou no que pode acontecer se o seu índice de inadimplência disparar nesse período?
Não haverá fluxo de caixa disponível para cobrir o rombo gerado pelas dívidas não pagas, contraídas com base em uma avaliação de risco equivocada.
Portanto, entre as inúmeras preocupações que fazem parte do cotidiano de um lojista, monitorar a inadimplência deve ser prioridade máxima.
Para que serve o índice de inadimplência
É fundamental ter um termômetro confiável para saber até que ponto os recebimentos em atraso estão impactando o seu caixa.
O índice de inadimplência cumpre exatamente esta função.
Seu acompanhamento pode ser feito a cada semana ou até mesmo diariamente.
Mas é importante que você tenha sempre um fechamento mensal para poder comparar a evolução deste que é um dos principais indicadores na gestão do crediário.
Com o passar do tempo você terá uma série histórica, com dados que servirão para embasar decisões cruciais sobre investimentos e concessão de crédito.
Para aprimorar seus conhecimentos sobre o assunto, confira abaixo o vídeo e aprenda como analisar o índice de inadimplência no varejo!
Mas como calcular a inadimplência?
Aí que está a questão. Nem sempre o varejista sabe como fazer o cálculo da inadimplência da maneira correta.
Apesar de ser algo relativamente simples, o processo requer alguns cuidados.
No varejo, o índice de inadimplência é calculado considerando os títulos que estão com mais de 90 dias e menos de 180 dias de atraso.
Com estas informações em mãos você deve organizar um sistema de controle de contas a receber.
Para isso, utilize planilhas e gráficos e separe os dados de acordo com critérios como a data de validade da dívida ou seu valor individual.
Para reunir os dados que serão a base desse cálculo você pode montar uma tabela como esta, com dados levantados no mês de outubro:
| Mês de vencimento da parcela | Total das parcelas com vencimento no mês | Valor total pago (parcelas com vencimento no mês) | Valor das parcelas não pagas até 1º de outubro |
| Setembro | R$ 110.00,00 | R$ 100.000,00 | R$ 10.000,00 |
| Agosto | R$ 90.000,00 | R$ 82.000,00 | R$ 8.000,00 |
| Julho | R$ 80.000,00 | R$ 75.000,00 | R$ 5.000,00 |
| Junho | R$ 80.000,00 | R$ 77.000,00 | R$ 3.000,00 |
| Maio | R$ 150.000,00 | R$ 148.000,00 | R$ 2.000,00 |
| Abril | R$ 100.000,00 | R$ 99.000,00 | R$ 1.000,00 |
| Março | R$ 120.000,00 | R$ 119.500,00 | R$ 500,00 |
Uma dica para organizar melhor esses dados é separar as inadimplências pela quantidade de dias em atraso.
Você pode criar um grupo com as dívidas com menos de 30 dias de atraso, um com dívidas atrasadas de 31 a 60 dias, um com inadimplência de 61 a 90 dias e outro de 91 dias.
Dessa forma você consegue traçar um perfil do tipo das dívidas e dos clientes inadimplentes na sua loja.
Ao visualizar individualmente a inadimplência é possível calcular sem muita dificuldade a percentagem de devedores.
Para isso, basta saber os ganhos previstos para o mês, os valores que foram realmente recebidos e o valor que falta para atingir o montante previsto.
Existe uma fórmula ou cálculo de inadimplência?
Como já disse, para obter o índice de inadimplência (II) da sua loja você deve levar em conta as parcelas com atraso superior a 90 e inferior a 180 dias.
Utilize a seguinte fórmula para fazer o cálculo:
II = TI90 / TT90
Onde TI90 se refere às parcelas com pagamento pendente até 90 dias após o vencimento original e TT90 representa o total dos títulos (incluindo os já pagos e também os em aberto) com 90 a 180 dias de atraso.
Vamos usar a tabela acima com exemplo e calcular a inadimplência no mês de setembro.
Nesse caso, TI90 corresponde aos valores vendidos em abril, maio e junho, e que já foram recebidos; enquanto TT90 corresponde ao valor total vendido em abril, maio e junho.
A conta ficaria assim:
II = TI90/TT90 II = 3.000 + 2.000 + 1.000 / 80.000 + 150.000 + 100.000 II = 6.000 / 330.000 II = 0,018 ou 1,8%
Ou seja: o índice de inadimplência em setembro foi de 1,8%.
Tabela de acompanhamento da inadimplência
Outro recurso que pode ajudá-lo a visualizar a quantas anda a inadimplência no seu negócio é uma tabela de acompanhamento periódico.
Com ela você terá informações para analisar o perfil de sua clientela e efetuar os ajustes necessários nos seus critérios de concessão de crédito.
Tomando os dados utilizados no exemplo acima, o balanço de inadimplência em setembro revela o seguinte quadro:
| Tempo de atraso das parcelas | Valor das parcelas vencidas não pagas | Porcentagem |
| 1 a 30 dias | 10.000,00 | 9,1% |
| 31 a 60 dias | 8.000,00 | 8,9% |
| 61 a 90 dias | 5.000,00 | 6,25% |
Usando dados reais da sua loja, esse método fará você ver com mais clareza onde exatamente é preciso focar os esforços para reduzir a inadimplência no crediário.
Contudo, você deve tomar cuidado na hora de comparar seu índice de inadimplência com os índices do mercado ou de algum concorrente.
Isso porque pode haver divergência de critérios entre uma empresa e outra.
O Serasa, por exemplo, não considera o prazo de 90 dias para analisar a inadimplência.
O órgão usa como referência os títulos protestados no mês, o valor total dos títulos enviados para o SPC e o montante dos cheques devolvidos pela segunda vez.
Dica bônus: Você sabia que oferecer vendas parceladas pode fidelizar seus clientes, trazer recorrência de compra e assim aumentar mais as vendas da sua loja de varejo? Se quer saber mais sobre como ter crediário seguro, baixe nosso e-book grátis!
Erros comuns na leitura de relatórios de inadimplência
Entre os lojistas, alguns erros são comuns no momento de ler o relatório e isso impede uma interpretação eficiente. Para saber como identificá-los, você pode assistir ao vídeo a seguir ou continuar a leitura:
Um primeiro erro comum é optar por olhar todo o histórico do crediário, desde a abertura da loja até o momento atual. Isso é incorreto porque, quando se olha a inadimplência dessa maneira, vê-se todo o acúmulo de perdas desde a abertura do crediário. O ideal, então, é averiguar a perda em um período de 180 dias.
Ao mesmo tempo, olhando esse acúmulo, também haverá dificuldade em entender o índice de inadimplência.
Suponhamos, por exemplo, que há um índice de 2,5% em um crediário de muitos anos, com uma carteira bem grande, e o último mês gerou um índice muito alto.
Esse valor alto do último mês fará com que o 2,5% passe para 2,6%, mascarando a realidade atual da loja. Então, o ideal é verificar o índice de inadimplência a partir de 30 dias.
Fazendo dessa forma, pode acontecer que em 30 dias você verifique uma inadimplência, por exemplo, de 20%, um número que, a princípio, assusta bastante.
Porém, com a análise do relatório, você perceberá que a sua recuperação de crédito está em até 90 dias – uma informação que mudará tudo na gestão do seu crediário.
Com essa percepção, você irá manter o foco na cobrança dentro dos 30 dias, deixando para negativar somente depois desse período. Concentrando seus esforços nos 30 dias, a recuperação em 90 será evidente.
Como incluir Juros e Multas no relatório de inadimplência
Outro erro comum é incluir juros e multa no relatório de inadimplência. Ao cobrar uma taxa, por exemplo, de 5% e inserir esse valor no relatório, os números do índice de inadimplência caem, já que está cobrando mais de quem paga atrasado.
Contudo, não será possível identificar o seu capital, isto é, o índice de assertividade do que a loja está vendendo e recebendo.
Portanto, deve-se começar verificando a inadimplência por faturamento , averiguando a saúde financeira do seu crediário.
Além disso, também deve-se olhar por contrato . Nesse caso, você consegue verificar quantos clientes estão pagando e quantos não estão, identificando a quantidade de assertividade que você está obtendo na concessão de crédito.
Por fim, entendendo a saúde do seu crediário e a quantidade de perdas, você conseguirá alterar a política de crédito da sua loja, evitando prejuízo.
Se tudo pareceu muito complicado até aqui, tenho uma boa notícia: toda essa avaliação pode ficar bem mais simples se você utilizar uma plataforma como a Meu Crediário. Explico melhor…
Como ler o relatório de inadimplência do Meu Crediário
Veja na imagem a seguir o exemplo de um relatório de inadimplência gerado pelo nosso sistema:
A tabela divide os clientes em diferentes perfis de risco, de acordo com os resultados da análise de crédito feita no momento da venda.
Esse perfil é criado usando um sistema de credit score, onde a letra “A” representa um cliente com perfil de risco muito baixo e a letra “E” um cliente com grandes chances de se tornar inadimplente.
O relatório mensal mostra a quantidade de vendas feitas para cada perfil, o total faturado, o total recebido e os valores em aberto. Abaixo, vêm as informações sobre a inadimplência de 30 e 60 dias.
Para fins didáticos, neste artigo vamos focar na análise da inadimplência de 60 dias (última linha da tabela).
Dela extraímos as seguintes taxas de inadimplência:
- Clientes de perfil A: 0,00%
- Clientes de perfil B: 2,92%
- Clientes de perfil C: 4,51%
- Clientes de perfil D: 10,72%
- Clientes de perfil E: 32,71%
Perceba que, quando você tem uma inadimplência alta , geralmente ela vai estar concentrada nos clientes de perfil D e E.
Neste caso, os dois perfis somados representam 43% de todas as contas atrasadas nesta loja!
A partir dessa constatação, o lojista pode começar a tomar algumas atitudes concretas.
Tomando decisões com base em dados
Para baixar a inadimplência em uma loja que se encontra em situação semelhante, é preciso começar cortando essas vendas para clientes de maior risco.
Perceba que os clientes de perfil E apresentam índices extremamente altos, tanto quando olhamos a inadimplência de 60 quanto a de 30 dias.
Nesse caso particularmente, se eu fosse o proprietário da loja, não venderia mais para esse perfil pois o relatório está me indicando que o índice de inadimplência dessas vendas está muito alto.
Se mesmo assim a opção for vender, minha sugestão seria pedir uma entrada ao cliente, algo em torno de 40% a 50% do valor total da compra.
A mesma situação ocorre com o cliente perfil D.
Mesmo que o faturamento nesses perfis possa parecer bom, é importante lembrar uma lição fundamental para quem trabalha com vendas a prazo:
Não adianta vender para quem não consegue pagar!
De que adianta comemorar um grande volume de vendas se você precisa gastar alto com cobrança para poder receber? Sem contar as vezes em que não se consegue cobrar e a loja fica no prejuízo…
Não vale muito mais a pena focar seu crediário nos clientes com perfil A, B ou C, cuja inadimplência é bem menor, do que perder tempo e dinheiro abrindo crediário para clientes D e E?
Conte conosco para ter essa visão estratégica do seu negócio!
Por meio do relatório de inadimplência, nossa plataforma ajuda você a ter um diagnóstico da saúde financeira do seu crediário. Mas a decisão sobre que políticas de crédito colocar em prática é algo exclusivo da sua loja!
Eventualmente, se você tiver alguma dúvida nós podemos te ajudar, mas basta seguir o raciocínio exposto neste artigo para poder aproveitar todas as vantagens analíticas que o sistema Meu Crediário oferece.
E se você vende ou deseja vender parcelado e está em busca de uma ferramenta para profissionalizar seu negócio, conheça o Meu Crediário e seja bem-vindo(a) ao futuro das vendas a prazo!
Trabalhar com crediário próprio e incentivar os clientes a comprar no carnê é o melhor caminho para vender mais e aumentar o faturamento, sem perder o controle da inadimplência. Conheça o Meu Crediário e seja bem-vindo(a) ao futuro das vendas a prazo!
Um abraço e boas vendas!
Perguntas Frequentes
1. O que é um relatório de inadimplência?
É um documento que reúne dados sobre clientes ou empresas que estão com pagamentos atrasados, permitindo análise de risco e tomada de decisão no crédito.
2. Para que serve um relatório de inadimplência?
Ele ajuda a identificar o nível de inadimplência, entender o perfil dos devedores e criar estratégias para recuperação e prevenção de dívidas.
3. Quem pode utilizar um relatório de inadimplência?
Empresas, lojistas, instituições financeiras e gestores de crédito usam esse relatório para avaliar riscos antes de conceder vendas a prazo ou financiamentos.
4. Quais informações um relatório de inadimplência apresenta?
Traz indicadores como percentual de devedores, valor total em aberto, prazo médio de atraso, dados por região, faixa etária, gênero e segmento de atuação.









