O que é cadastro positivo e como ele pode ajudar minha loja a vender melhor?

Apesar de ter sido criado por uma lei de 2011 e estar em vigor desde 2013, o Cadastro Positivo nunca esteve tão em evidência quanto agora.

É que nas próximas semanas o Congresso Federal deve aprovar novas regras que prometem aumentar a relevância desse banco de dados para todas as empresas que trabalham com concessão de crédito no país.

E isso inclui a sua loja!

Para os lojistas que trabalham com crediário próprio, a ampliação do uso do cadastro positivo pode representar uma nova (e importante) fonte de informações para balizar sua análise de crédito.

Neste artigo, vou falar sobre as mudanças que estão prestes a ocorrer no Cadastro Positivo e como elas vão influenciar a qualidade das suas vendas no crediário.

Vamos lá?

Antes de tudo, precisamos entender como funciona esse modelo de cadastro e no que ele é diferente do atual modelo baseado na negativação do cliente.

No vídeo a seguir eu falo um pouco mais sobre essas diferenças. Dê uma olhada:

O que é Cadastro Positivo?

Aqui  estão as definições para Cadastro Positivo:

  • O Cadastro Positivo é um banco de dados que reúne informações sobre o pagamento de contas de consumo ao longo do tempo, com o objetivo de formar um histórico de crédito do consumidor.
  • Diferente de outros modelos de cadastro creditício, ele não se baseia nos registros de inadimplência e sim em uma avaliação dos pagamentos realizados dentro de um determinado período.
  • Em outras palavras, o foco do Cadastro Positivo não é identificar quem está com o “nome sujo” na praça.
  • É valorizar o consumidor que costuma pagar em dia suas contas.

Como funciona o Cadastro Positivo hoje em dia?

Até o momento, a pessoa que quiser ser incluída nessa “lista de bons pagadores” precisa solicitar sua inscrição no banco de dados de algum órgão de proteção ao crédito.

Somente com a autorização expressa do consumidor, o órgão terá acesso aos dados bancários referentes ao pagamento das suas contas de consumo, como tarifas de energia ou contas telefônicas.

Nesse processo, apenas os dados referentes ao valor e às datas de pagamento das contas são compartilhados. As demais informações sobre a movimentação bancária do consumidor permanecem sigilosas.     

De posse desses dados, a empresa gestora do cadastro vai atribuir uma pontuação para o consumidor de acordo com seu histórico de pagamentos.

A partir daí, quem tiver uma “nota boa” no cadastro pode obter melhores condições para financiar compras a prazo no comércio, fazer empréstimos e até financiar um imóvel.

Por outro lado, quem ganhar uma avaliação ruim pode ter contratempos na hora de aprovar um financiamento.

Por que o Cadastro Positivo ainda não “pegou”?

Talvez pelo fato de ter inscrição voluntária e depender da iniciativa do consumidor, esse modelo de cadastro até hoje não foi amplamente explorado pelas empresas que trabalham com concessão de crédito.

Atualmente o cadastro positivo da Serasa conta com 6 milhões de inscritos, enquanto o da Boa Vista Serviços tem 7 milhões. Isso é muito pouco, se levarmos em conta o universo de mais de 60 milhões de consumidores inadimplentes que existem no país.

Mas esses números devem aumentar consideravelmente com as novas regras propostas pelo Governo Federal, por meio de uma Medida Provisória que está prestes a ser aprovada pelo Congresso.

Que mudanças o governo está propondo?

Como já vimos, o cadastro positivo existe desde 2013 como uma opção para o consumidor que deseja constar nas listas de bons pagadores dos órgãos de proteção ao crédito.

A principal mudança proposta pelo governo é tornar a inclusão automática para todos os cidadãos que possuem um CPF.

Depois que receber uma notificação (via correio ou internet) comunicando sua inserção no Cadastro Positivo, o consumidor que não quiser participar poderá pedir a exclusão das suas informações sem nenhum custo.  

“A mudança é fundamental para consolidarmos o Cadastro Positivo como um instrumento de concessão de crédito”, afirmou recentemente o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior. Na opinião do líder lojista, o excesso de burocracia para a inclusão do consumidor tem sido o principal responsável pela baixa adesão ao Cadastro Positivo nos últimos anos.

Outra mudança importante é que os dados sobre pagamentos passarão a ser coletados não apenas dos bancos, como já se faz atualmente. Também será possível obtê-los diretamente das companhias de água e luz e operadoras de telefonia móvel.

Com isso, será possível incluir no mercado de crédito milhões de pessoas que não fazem uso dos serviços bancários – os chamados “desbancarizados”. Mesmo sem ter conta no banco, o consumidor que paga suas contas em dia terá como comprovar seu histórico de bom pagador.

Que benefícios isso vai trazer para a sua loja?

Na verdade, você como lojista não vai precisar construir seu próprio cadastro de bons pagadores. Isso, é claro, ficará a cargo da empresa financiadora do seu crediário.

Se você trabalha com crediário próprio, poderá utilizar o cadastro organizado pelos órgãos de proteção ao crédito e também por algumas empresas que fornecem soluções de tecnologia.  

Atualmente, apenas instituições autorizadas pelo Banco Central podem usar esse tipo de informação para análise de crédito. Com a mudança na lei, a permissão para gerir um cadastro positivo será ampliada para as chamada “fintechs”, empresas financeiras que usam tecnologia para prestar serviços personalizados.

Ou seja:

Se você utiliza um sistema automatizado para administrar seu crediário próprio, pode esperar mudanças para melhor caso as novas regras sejam aprovadas.

Afinal, com acesso ao histórico de pagamentos dos consumidores, o serviço de análise de crédito fornecido por estas ferramentas vai se tornar ainda mais preciso.

O que nós esperamos com esta mudança

Aqui na Meu Crediário, percebemos logo no início do negócio que a expansão do cadastro positivo seria uma tendência muito forte no mercado de crédito e consumo.

Tanto que, em 2015, fizemos uma viagem técnica para conhecer o modelo de credit score do país mais consumista do mundo: os Estados Unidos. Desde então, inspirados nesse método de pontuação, criamos modelos próprios de análise de crédito que já seguem os mesmos princípios do cadastro positivo.

Como já fazemos a análise baseada no histórico de pagamentos do consumidor, com o acesso a mais fontes de consulta será possível refinar ainda mais os resultados e oferecer condições melhores de financiamento para quem paga sempre em dia.  

Segundo o Banco Central, quando as instituições financeiras puderem diferenciar com maior grau de detalhe os bons dos maus pagadores será possível reduzir as taxas de juros ao consumidor.

Se tudo correr como esperam os defensores do novo modelo, a tendência é que as mudanças no Cadastro Positivo aumentem a concorrência na oferta de crédito.

Isso significa mais competidores nesse mercado e mais qualidade na tomada de decisão sobre financiamentos, empréstimos e compras a prazo.

É esperar para ver.

Um abraço e até a próxima!

Authored by: Jeison I. Schneider

CEO do Meu Crediário